Os melhores do mundo

Vinte anos nos trouxeram até aqui. Vinte anos de luta. Enfim, somos campeões mundiais. Obrigado aos que sempre estiveram do nosso lado, quando chovia ou fazia sol. Vocês, são os melhores do mundo.

Time truth and Hearts

“Me lembro daquele Mundial no Japão em 1993, que era o meu primeiro e sonhava um dia me tornar Campeão Mundial. Confesso que era mais sonho do que objetivo, já que era muito difícil acreditar que era possível vencer tantos atletas de renomeda época e tantos ídolos que estavam ali ao vivo e a cores.

O mundial passou, não me classifiquei, mas voltei para casa feliz, pois fazer parte do mesmo evento de tantos campeões, me fez acreditar que aquilo seria possível um dia. Graças à Deus, Ele me abençoou com o dom de acreditar em coisas que parecem impossíveis à vista dos outros. E foi assim acreditando que iria conseguir que segui treinando duro e com afinco.
Veio então o Mundial de 1997, agora já morando de novo no Brasil, em São Paulo, um Campeonato em casa é sempre bom, e a responsabilidade também é grande. Desta vez, via que o sonho se tornava mais viável, talvez fosse uma visão um pouco mais madura. Mas, apesar de todo esforço, mais uma vez o sonho parecia escapulir pelos dedos. Uma derrota um pouco mais amarga, já que queria conquistar uma medalha em casa. Só restava voltar para casa e treinar mais.

O tempo passou, vieram outros mundiais o qual não participei. Não por vontade própria, mas por força da situação, pois o Brasil estava “fora” do circuito da IKGA e não podíamos participar dos eventos oficiais, graças a um grupo de “pessoas” que destruíram todo o trabalho que o Mestre Watanabe havia batalhado uma vida inteira para construir. Mas o mundo dá voltas e não ficamos parados, continuei correndo atrás dos sonhos e ciente de que o único caminho para se alcançar é através de muito, muito esforço.
Venci vários outros campeonatos, perdi mais um outro punhado, mas sempre com a confiança de que o Brasil poderia um dia retornar à família IKGA. Tanto que mantinha contato com Senseis de outros países que estavam filiados à IKGA e também acompanhava sempre as notícias dos eventos oficiais. Em 2005, pude ir ao Uruguai, onde fui muito bem recebido pelo Kyoshi Gonzalo Ramirez, atual representante da IKGA na América do Sul e que pôde me atualizar a respeito das padronizações oficiais da IKGA no mundo.

Em 2007 o Brasil graças a um movimento organizado por vários Senseis do Brasil e da ajuda do representante da América do Sul, conseguiu retornar à família IKGA. Nomeando oficialmente como seu representante o Renshi-Shihan Luiz Kotsubo.
Foi neste ano também que me casei, novas responsabilidades e também uma nova agenda, era preciso reorganizar todo o tempo para manter foco no treinamento.

Em 1998 no Sul-Americano da IKGA, eu e meu irmão Horácio competimos pela primeira vez em um evento internacional e nos saímos bem, Campeões na categoria Bunkai-Kata-Kumite. Nascia ali uma parceria de grandes conquistas. Tanto que em 2009, no Mundial que retornamos ao circuito da IKGA na África do Sul, ficamos em Terceiro Lugar, um título inédito para o nosso país. Voltamos felizes, porém focados em nos dedicar para que no próximo mundial, buscássemos o lugar mais alto do pódio e também vencer a dupla do Japão, que nos havia vencido na semi-final. Neste ano nasceu também minha filha Yumi que serviu de grande motivação para que eu treinasse e fizesse o que tinha que ser feito, mesmo que cansado e muitas, muitas vezes de madrugada.

Muitas coisas aconteceram nestes quatro anos, em 2012 nasceu meu filho Shoji e junto novas responsabilidades e também a necessidade de me organizar mais, de ter mais disciplina, pois o tempo ficava mais escasso e para treinar, era preciso uma agenda metódica e sem furos. Mas quando me batia o cansaço, lá estavam os dois para me dar aquela força divina. Graças à Deus também que a pessoa com quem me casei, que é a Kiyomi, me ajudou e ajuda em tudo que preciso, sempre me apoiando e entendendo todas as dificuldades que eu preciso passar para que possa alcançar meus objetivos.

A família é um bem precioso e se hoje temos um título mundial é graças a uma família de ouro. Meus pais, filhos, esposa, irmão, minhas irmãs, meus sobrinhos, meus cunhados, meu sogro e sogra. Todos tem sua participação nesta conquista, cada um com um punhado, já que de alguma forma, me ajudaram a carregar minha bagagem para que eu pudesse chegar até aqui. E gosto também de chamar de “família”, as pessoas que me acompanham na Associação Shizuoka Goju-kan, pois além de alunos e amigos, família para mim significa aqueles em quem eu confio.
2013 foi um ano pesado e de muitas provações. Mas é assim que tem que ser para aqueles que pensam grande. Era ano de Mundial, desta vez na Índia. Treinamos muito, sofremos muitos, fomos lá competimos e nos deram o segundo lugar. Injusto, mas acatamos. As notas eram exatamente as mesmas, e por algum motivo, decidiram dar a vitória para a dupla da Indonésia.

Retornamos, confesso que um gosto amargo. O resultado não era ruim, afinal de contas era um mundial e ficamos em segundo lugar na frente da dupla do Japão, mas sentíamos que não era justo. Através do representante do nosso país, foi feito um pedido para revisarem as notas, o que foi acatado pela organização. Após longos dias de julgamento, a comissão organizadora do Mundial, juntamente com a matriz do Japão, deferiram o pedido do Brasil e a partir de então através da maior autoridade do estilo Goju-ryu no Mundo, o Saiko-Shihan Yamaguchi Goshi, nós fomos considerados CAMPEÕES MUNDIAIS na categoria Bunkai-Kata-Kumite.
Este é um dia de vinte anos de espera. Um dia especial, que coroa um sonho, que coroa algo que até então muitos diziam ser impossível. Um dia especial, porque também mais do que chegar, não cheguei sozinho. Lá no início deste sonho em 1993, tinha um sonho individual. O que foi de uma grata surpresa, foi que meu irmão caçula além de começar a caminhar junto comigo, também iria se tornar um grande parceiro. Juntos não somente no caminho, mas também no sonho. Conquistar este sonho é de imensa Felicidade e mais ainda por não conquistar isto sozinho, porque Saito Brothers é sentimento: Irmãos de Sangue, amigos de verdade!!!!!
Um dia Especial, Um dia de Vinte Anos…..

A vitória não é minha, a vitória é nossa – SAITO BROTHERS – CAMPEÕES MUNDIAIS” – Akira Saito”

 

Só honra quem carrega

Mais do que medalhas e fotografias, fica o aprendizado.
Aquela era a nossa primeira competição internacional de Bunkai. A primeira competição fora de casa, como Saito Brothers.

Mais do que os títulos como o daquele dia, ficam para sempre os laços que se fortalecem a cada disputa, cada vitória ou derrota. Toda vitória, toda historia é construída com a vivência intensa destes momentos. Tudo tem de valer à pena. Da dor à alegria, tudo tem de servir como alicerce de uma grande fortaleza. Esse é o caminho e é o nosso caminho.

Com o tempo, há de se aprender que quem não coloca tudo em jogo, não serve para o jogo. Porque ali só vence quem é sincero. Não existe sinceridade com o pé atrás. Só conta se for 100%. A sinceridade nunca perde, sempre vence, embora algumas vitórias só o tempo revele.

Com o tempo, há de se aprender também, que aquele que quer honrar a confiança das pessoas, sempre luta com 100% do que tem e além disso, leva todas estas pessoas à serem honradas nos ombros, nas costas, na mente, no pensamento. Quem luta por muitos, tem a força de muitos.

O juvenil, aprende a lutar por si. O homem luta por si e pelos outros. Seja pela memória destes, pela gratidão ou pelo apoio recebido. Os homens honram o(s) nome(s) que carregam.

Naquele dia, aprendi a carregar as coisas nas costas. Para honrar o nome de quem um dia fez o mesmo caminho. Tinha dezesseis anos, muita coisa pela frente, mas sabia que estava no lugar certo.

Estava no caminho.