Archive for April 21, 2011

Otagai

Novembro de 1992. A faixa ainda era a branca e a experiência ainda era pouca. Um Kata aprendido e um pequeno desafio, competir pela primeira vez.
Com a proximidade do campeonato, a única coisa no treino que foi modificada, adaptada do tradicional para a competição, foi a orientação dada pelo sensei Nagatani de como entrar na área de competição (Koto).
Havia uma categoria só para fixas brancas e ali morava o meu primeiro desafio dentro das competições.
No Japão, é muito comum por se tratar do berço do Karate e da própria cultura local que prega muita disciplina, ver nos campeonatos infantis um padrão exatamente igual de modelo de apresentação para campeonato. E era exatamente aí onde o treino se tornava digamos assim específico. Na verdade não sei ao certo se dá para chamar de específico, pois tirando o treino dessa parte padrão de entrada e saída do Koto, era o nosso bom e velho treino tradicional.
É claro que nesta experiência, havia muito mais o fator “experimentar” do que de fato o fator “tenho que vencer” e a lembrança mais bacana que tenho disso, é o fato de ter feito exatamente o meu melhor naquela época.

A raíz é muito importante para o que vem adiante. E ali, naquele primeiro ano, naquela primeira experiência eu pude aprender a esseência daquilo que que carrego até hoje de mais valioso. Dar o melhor de si.
Não existe Otagai dentro do Karate-Do se você não compreender, não possuir sua raíz firme, ligada exatamente nesta lição. Otagai em um caminho como o nosso, quer dizer exatamente que caminhamos todos juntos, cada um fazendo o seu melhor. Não é carregar todos nas costas, não é contar histórias de ontem sentado em um banco. Otagai aqui, está ligado diretamente ao que signica Karate-DO.
Em dias em que você pode achar o “significado” de coisas como o Dojo-Kun ou até mesmo da palavra Karate-Do no google, nada vale o excesso de informação se três palavras (entrre outras esenciais) não existirem no suor do seu Karate-Gi: Michi, Otagai, Kokoro. E vale frisar que eu disse SUOR do deu Karate-Gi.

Ao longo destes anos, eu e meu irmão dividimos muitas coisas. Entre elas alegrias, tristezas, realizações e decepções. Não existe meio de ser imbatível ou ser sempre um derrotado, ganhar e perder faz parte da jornada. Existe sim trabalho. O que é certo dizer, é que caminhamos juntos sempre.
Otagai. Um sonho nosso em Otagai.
E sinceramente depois de tantos anos aqui, quer saber?  Nós queremos mais!
これからもお互い頑張ります。

Ser melhor

Em nossos treinamentos, a ênfase era sempre para a parte tradicional, mas tínhamos também as competições. No mês de Agosto acontece todos os anos o “All Japan Karate-do Goju-kai Championship” e no mês de Novembro acontece o “Shizuoka Ken Karate-do Goju-kai Taikai” que é o Campeonato da Província de Shizuoka. Nosso Mestre Konomoto e nosso Sensei Nagatani colocavam sempre de forma equilibrada a importância sobre tudo, da parte tradicional que é o alicerce de tudo que treinávamos e da parte da competição. E por isso também tínhamos vários alunos Campeões em nosso Dojo. Isso para mim foi de grande importância, foi o que me fez ver que para ser tradicional, não há a necessidade de ser uma coisa isolada e que para ser um Campeão, não é preciso abrir mão da tradição. Conceito vindo de uma pessoa que considero realmente um “Mestre” não apenas pela sua técnica, mas sim pela sua sabedoria.
Exatamente este conceito reforçou em mim a vontade de crescer, de vencer, de me superar, de alcançar o mundo. E através das competições na Província de Shizuoka, podemos dizer que o “Saito Brohters” iniciou seu caminho nas competições para conquistar o mundo.
Em Novembro de 1992, o Horácio iria competir pela primeira vez e o que eu podia fazer era passar um pouco da minha experiência e dar palavras de incentivo.
Não é preciso ressaltar o alto nível técnico encontrado nos atletas das competições do Japão, e também na grande quantidade de crianças em suas categorias. Esta dificuldade encontrada nas competições é o que exatamente servia de combustível para o nosso crescimento. Incorporamos a conduta de ver a derrota sempre como uma ferramenta que nos motivasse a melhorar, a superar aquele obstáculo tão dolorosamente às vezes imposto e lhe dar com a vitória sempre como uma recompensa do trabalho árduo efetuado e nunca como uma forma de engrandecimento do próprio ego.
Ser melhor, sempre, em tudo, valorosa lição que nos foi ensinado e que orgulhosamente e agradecidamente posso dizer que aprendemos….