Archive for November 21, 2011

Kuro Obi – O início do Caminho

Agora que o Horácio havia conseguido passar no exame, caia sobre ele a responsabilidade de trilhar o caminho do verdadeiro Karate.
A faixa preta é o divisor, onde a lições aprendidas até então devem começar a ser colocadas em prática, não apenas no contexto técnico mas também em seu dia a dia.
Ele a partir de então era mais um Saito a trilhar o caminho do Karate-do Goju-ryu. Era mais um representante da Associação Shizuoka Goju-kan, discípulo do Hanshi Konomoto Takashi.
Pedi para tirar uma foto dele com sua nova faixa ao lado do Shihan dai do Dojo, Sensei Nagatani. Acredito que todas as dificuldades do percurso são apenas testes para que nos fortalecer e nos preparar para podermos trilhar o caminho da sinceridade.
Nem é preciso dizer o orgulho de toda a família Saito, ainda mais porque até mesmo para os padrões japoneses, o Horácio havia conseguido chegar até aquele estágio de forma muito rápida, em menos de três anos, merecendo até reportagens em jornais locais.
Para quem sabe o verdadeiro valor do Budo e o que representa o fato de ser aceito como Kuro Obi em um Dojo Tradicional, aquele era um momento memorável.
Kuro Obi, aquele era o início do Caminho dele……

Onde as coisas começam

O lugar era o mesmo, as pessoas também. Os mesmos golpes, as mesmas sequências, os mesmos passos. O clima lá fora, não era diferente daquele encontrado há alguns anos atrás, ali, naquele mesmo lugar.

O gosto da água no intervalo, era o mesmo de sempre.
Mas algo mudara naquele dia.

O Karate-Do, é arte, o caminho por onde aprendemos através de um mesmo soco, novas verdades todos os dias. Aquele dia, para mim representava exatamente isso.
Anos atrás, eu pisava ali como um novato. Um papel em branco sem rabisco, desenhos ou palavras, agora três anos mais tarde lá estava eu, cultivando no meu papel a verdade que eu adquiri ali dentro, lapidando através da técnica, as verdades que eu queria para mim. Naquele papel, agora havia a minha verdade, moldando-se a cada dia, agora crescendo como gallhos em um tronco sólido chamado Karate-Do.

O mesmo não é mais o mesmo, porém sempre segue na mesma jornada.

É engraçado dizer isso, mas ao colocar a faixa preta pela primeira vez, me senti gente grande. Por mais que soubesse que à partir daquele momento teria pela frente novos desafios (isso inclui a palavra DIFICULDADES), a sensação era de muito orgulho. Um orgulho de ter feito algo grando por mim mesmo e tabém um orgulho por ter feito naquele momento as pessoas que sempre acreditaram, que um dia eu faria a mim mesmo orgulhoso, orgulhosas também.

Lembro de no final do exame, ter tirado fotos ao lado do sensei Nagatani. Quando fui tirar uma foto solo, por sugestão do meu irmão, ele disse “faça uma pose bacana” e eu, fiz um kamae do Kata Seienchin para a foto.
Eu que que no dia anterior acabava de completar meus treze anos. Tudo estava exatamente ali, da melhor maneira, muito além do que eu podia imaginar há três anos atrás.

Geralmente, as pessoas dizem que tudo tem começo, meio e fim. Mas eu, prefiro pensar que estamos sempre começando. Aquele dia, aquela faixa, era só mais um novo começo.