Archive for December 22, 2011

Naturalmente um mundo pela frente

Com treze anos de idade eu tinha a minha faixa preta. Aquela, que geralmente no Ocidente as pessoas cobiçam tanto desde o primeiro dia em que pisam num Dojo de Karate. Sim eu digo no Ocidente, porque eu nunca vi coisa do tipo lá naquele canto do mundo.

No Japão, era muito mais comum, e é muito mais comum a palavra naturalidade do que a palavra cobiça. De uma forma bem geral, os japoneses vivem a vida com fluidez e naturalidade. Existem metas, desafios e ambições sim, mas sempre tudo parece estar de acordo com um plano muito maior, sempre organizado pela disciplina e dedicação nos afazeres. Então sempre o que se vê é uma naturalidade nas coisas, pois sempre a cabeça está focada no trabalho do dia de hoje. Amanhã é importante, mas os pensamentos no agora, é o que tem para o dia de hoje.
Se eu for colocar isso como Karate-Do, que é uma arte criada para a Defesa, direi o que sempre digo. Contragolpe não existe sem defesa.

Todo mundo vai chegar onde quer. É o que transparece no trabalho silencioso daquele povo, que nunca reclama das coisas. É como se todos compreendessem muito bem que se o trabalho é bem feito, não há porque os resultados não aparecerem. Parece bem óbvia essa mentalidade, mas pelo menos por aqui no Ocidente, eu vejo isso sendo óbvio somente na teoria e para alguns casos, nem na teoria, o que muitas vezes acabam resultado na cobiça pelas coisas de uma forma errada.

O tempo é precioso, nunca volta atrás e muitas vezes as pessoas iniciam alguma coisa, já pensando no dia em que chegarão ao fim, algumas vezes até procurando “atalhos” para este “fim”.

Como Karate, é Do, que também se lê como Michi(caminho), creio que existe a extrema importância de se prestar muito mais antenção e captar os detalhes do caminho, tentando captar e absorver o máximo possível de todo o trajeto pelo qual seus pés caminham. Para onde vai interessa, mas por onde anda conta muito mais.

Ser faixa preta para mim era divertido e óbvio. Eu fiz o necessário para estar ali e nunca naquela época, me via andando pelos caminhos de hoje portando um terceiro Dan. De trecho em trecho, treinando(caminhando), prestando o máximo de antenção nos detalhes o tempo voa e quando menos se percebe, um bom tempo se passou e o mais interessante de tudo, sempre existe um mundo imenso pela frente!

Um mundo tão grande, que ao programar o próximo passo, se olhar demais até assusta um pouco, mas volto a olhar para os meus pés, respirar fundo, olhar ao redor, sorrir e agradecer.

Treze anos de idade, respira fundo e segue adiante. Era assim naquela época, é assim nos dias de hoje. Naturalmente, existe um mundo pela frente.

Um nome, um ideal, honra e história

No Japão, o nome da família tem um valor incalculável. O nome da família conta com um registro em sua Prefeitura de origem, onde consta a árvore genealógica com todos os antepassados. Por isso é ensinado que nunca se deve envergonhar e desonrar o nome da família, uma herança da época dos samurais e motivo real de valor. Por isso em nossos karate-gis estão bordados os kanjis de nossa família e não de nosso nome próprio.
No Honbu Dojo de Shizuoka, lá estavam nossos sobrenomes em plaquetas na parede. Isto significava que estávamos ali para termos responsabilidade e para honrar o Dojo e nossa família. Agora a família Saito tinha dois representantes que deveriam honrar com dignidade o Dojo e também a família.
Ser um faixa preta significa ter a responsabilidade e cumprimento do caminho acima de qualquer ambição pessoal. E ali estávamos agora, trilhando o nosso caminho, buscando o cumprimento de um ideal.
Treinar com afinco, buscar a superação dos próprios limites, ter em mente que agora não se trata apenas de si mesmo, mas de todo um legado.
Honrar nosso Mestre, honrar nosso Dojo, honrar o nome de nossa família e buscar com isso um lugar no história do Karate-do Goju-ryu.
O ano era de 1995 e se queríamos algo era preciso trabalhar duro, trabalhar muito.
Saito Brothers, Karate-do Goju-ryu, família e honra…..