Archive for March 29, 2012

Entre sementes e frutos

Até quando teria que aguentar aquelas despedidas? Por toda a vida, porque inevitavelmente um dia, seja lá quando,  nos despedimos das coisas e das pessoas, fazemos isso o tempo todo e nunca nos(eu pelo menos) acostumamos com isso. Há de se acostumar com aquilo que vai, mas um dia volta, porque nessa vida de um tiro, um momento, existem coisas que partem e nunca mais voltam. Então, a despedida de tudo aquilo que vai voltar, nada mais é do que um momento de alegria.

Hoje, passados tantos anos eu entendo isso. Mas naquela época em que num espaço curto de tempo eu me distanciei de tantas coisas, de tantas pessoas, tantas indas e vindas eram dolorosas.

Porém nesta época muita coisa começou a mudar, ou talvez seja melhor dizer, amadurecer. Durante este tempo que tive que entender algumas coisas sozinho sem a referência do meu irmão por perto, uma semente plantada começava a brotar.

Nesta época, o que era apenas algo que eu fazia no embalo do meu irmão mais velho, começava tomar a minha própria forma e aos poucos, aquilo se transformava num ideal.

Acredito que o processo natural da adolescência, é a formação do indivíduo, de seu caráter e de seus ideais. Afinal, é a hora em que todos(nem todos) devem(pelo menos começar a) caminhar com as próprias pernas. Muita coisa desta fase da vida, é o que vai ser para levar para o resto dela. Haverão mudanças ao longo do tempo é claro, mas certamente muita coisa não vão mudar e sim evoluir.

Era um processo de evolução. Porque na realidade, o ideal em si, era tudo que eu tinha aprendido no Japão.

Logo, aquilo era só uma evolução. Uma parte do caminho que eu descobria sozinho como tinha de ser. E à partir do momento em que uma semente é plantada, você é o que você é, porém um dia isso só lhe dará frutos se você realmente quiser ser. O que lhe espera lá na frente então, será apenas a evolução dos seus ideais.

Voltar para Retornar

Minhas curtas férias estavam acabando. Estava novamente prestes a embarcar para o Japão, novamente um sentimento de tristeza, porém, desta vez com um plano de retorno prévio.
Despedidas em aeroportos são sempre tristes, ficar novamente longe da minha família só tinha significado agora porque já havia um plano concreto para minha volta definitiva para o Brasil.
Curtir os momentos com meu brother Horácio era o que me restava a fazer. Treinarmos juntos antes de partir novamente rumo ao Japão.
Era difícil imaginar naquela época o que o futuro nos guardava. Além de uma cumplicidade de sangue, tínhamos uma relação de amizade muito forte. Uma amizade que se fortaleceu com o tempo, com os sacrifícios e com os obstáculos. Talvez nesta época sonhava em um dia honrar o nome do nosso Mestre no Brasil, mas com toda a inexperiência de um jovem de vinte e cinco anos.
Voltar ao Japão, mas com a certeza de que uma nova jornada se iniciaria quando retornasse definitivamente ao Brasil…..