Archive for May 24, 2012

Que comece a viagem

Competir nunca fez de mim um astro de propaganda de marcas de material esportivo, nem muito menos um milionário astro como no basquete americano.

Competir, com excessão de pouquíssimas vezes ou fazes da vidade atleta, sempre me trouxe muito mais prejuízo financeiro do que outra coisa. Mas se por um lado gastei muito dinheiro, se fiz a minha família gastar dinheiro, não posso dizer que eu não tenha aproveitado cada momento de cada viagem.

Para este campeonato na Argentina, acabei recebendo uma pequena ajuda da escola onde estudava naquela época, o que mais tarde acabou me rendendo uma bolsa de estudos integral e aí, pode-se dizer que quitei a dívida(em partes) com o meu pai, pagando assim pelo menos os meus estudos.

Mas isso é uma outra história, porque eu nem se quer tinha ido para a Argentina e as contas se pagaram na escola depois que eu voltei, então voltemos ao assunto da pré viagem.

Tirando a viagem feita para oa Japão, eu nunca tinha visitado outro país. Está certo que par quem viaja para o Japão, qualquer viagem se torna curta e sem muito mistério, mas conhecer outro país era algo que eu ganhava como bônus por competir(assim continua até hoje).

Se não trouxe financeira muito mais do que algumas dívidas adquiridas e pagas ao longo do tempo, culturamente é sempre enriquecedora a experiência de ter contato com outros povos, suas culturas e costumes. E talvez mais importante ainda, é o fato de ter dividido tantas vezes esses momentos fora do país com amigos e parceiros de jornada. Conheci novas culturas, respirei ares diferentes e agradeço ao Karate por ter ganho amigos que podem contar as mesmas histórias que eu conto das minhas jornadas.

Competir é uma viagem, que você tem que curtir. Principalmente sendo atleta de Karate. E eu acredito que ali, naquela terra, naquele ginásio gringo, depois de alguns apuros em terra Argentina,lá estávamos nós, eu e o meu irmão.

Começava então a minha viagem.

Shizuoka Goju-kan na Argentina

Estávamos a caminho de Mendoza, na Argentina. Confesso que naquela época era difícil imaginar que éramos a Shizuoka Goju-kan, já que éramos apenas eu e meu irmão. Nem pensar sequer nisso eu pensava.
Estávamos lá pela primeira vez defendendo as cores da bandeira do nosso querido Brasil pela primeira vez, já que no mundial de 1993 em Tokyo, estávamos como parte do grupo que representava o Japão, pelo Dojo do nosso Mestre Konomoto Takashi.
Estar ali representava uma grande responsabilidade, a de conquistar espaço em lugar totalmente desconhecido para nós.
Viajamos de avião de Guarulhos até Buenos Aires e de lá para um aeroporto menor de ônibus para poder então embarcar rumo a Mendoza. Fiquei espantado com Buenos Aires à primeira vista, era uma cidade moderna, com seus traços tradicionais e um certo romantismo em sua arquitetura, mas ao mesmo tempo, acompanhando a modernidade de uma grande metrópole. O ônibus atravessou toda a cidade de Buenos Aires por um elevado, sem pegar trânsito nem farol e nessa hora fiquei imaginando a mesma situação no Brasil, descendo em Cumbica-Guarulhos e tendo que se deslocar até Congonhas, iria perder o vôo com certeza. 
Chegando lá, ficamos em um tipo de albergue, junto com outros atletas. Confesso que as condições de hospedagem tanto no Brasil como na Argentina me causavam uma certa estranheza, afinal de contas havia praticamente acabado de voltar do Japão, e lá, sempre que viajei para competir as acomodações eram bem diferentes. Mas somos brasileiros e neste ponto é muito bom, pois nos adaptamos a qualquer circunstância, não é mesmo? Era o suficiente para dormirmos, tomarmos banho e descansarmos, então estava muito bom. 
O que sempre é diferente e no meu caso, gosto bastante, é o fator comida. Gosto de ir a lugares diferentes e experimentar a culinária local e seus pratos típicos. Claro que nem sempre esta é uma situação agradável, mas na maioria das vezes é sempre bom e de valor explorativo, gastronomicamente falando.
Estávamos prestes a competir, mas não me lembro de ter tido ansiedade ou nervosismo, estava tranquilo e o fato de ser tudo novo e diferente de como era no Japão, acho que ajudava a não pensar tanto no campeonato em si.
No dia seguinte iríamos iniciar o caminho da Shizuoka Goju-kan do Brasil em terras internacionais, era o início dos Saito Brohters no Campeonato Sul-Americano…..