Archive for June 21, 2012

A óbvia evolução de 1997

Sempre que contei algo por aqui, deixei bem claro que nada veio de graça. Sempre frisei bem que tudo se tratou de passar por maus bocados na verdade, superar as deficiências e dificuldades à curto, médio e longo prazo.

1997 foi não apenas mais um desses anos, mas sim, um ano especial, onde pude aprender muito sobre o que é trabalhar duro pelas coisas e acima de tudo, fechar a boca, engolir as eventuais derrotas e seguir trabalhando mais.

A grandeza mora nos grandes. Parece óbvio não? Conversando num boteco na esquina, numa roda de amigos, sim, é óbvio, como meu irmão sempre diz “falar de Budo é muito fácil numa rodinha de amigos, fazer Budo é outra história”. Não é óbvio, pelo menos para os fracos.

A grandeza está no que há de grande, coisas como a glória, a honra e o orgulho, que só os grandes possuem, porque trata-se basicamente de experiências acumuladas, de histórias sobre alegria, realização, mas acima de tudo, cicatrizes de uma trajetória de superação, “sem” dor, sem “última vez”, sem nunca desistir daquilo que você acredita.

A grandeza mora nas tradições. Não é costume em tempos modernos as próximas gerações cantarem antes de uma Guerra, canções sobre as vitórias dos guerreiros do passado. Não é costume lutar e sonhar com um futuro, onde outros guerreiros cantem sobre a sua batalha. Não faz parte do nosso tempo.
Porém, grande é aquele quer quer o que ninguém tem, que sonha com o que ninguém sonha e nós vivemos lutando, sonhando com essas canções que nunca serão cantadas.

A grandeza mora nos grandes e não é óbvio nos dias de hoje. Engolir a sensação amarga faz parte do processo de evolução de quem entende e aprende o que é ser grande, olhando para quem é grande.

Olhava para o meu irmão e às vezes sentia raiva por não corresponder à altura. Os grandes vivem de honra, mas pagam suas contas com luta e sacrifício. 1997 era o ano de falar menos, contestar mais(a si) e treinar com tudo que eu tinha.

Os fracos não evoluem, só sofrem as cações do tempo. Os grandes fazem do tempo o que bem entendem.  Para os grandes sempre se trata de levantar todos os dias dizendo a mesma coisa.

Eu quero, eu preciso.

Então, a evolução é só uma consequêcia.

Pronto para as Seletivas

Aquele ano estava intenso, preparação para as Seletivas do Mundial Goju-kai, novas turmas de alunos em novos locais, estava realmente tudo indo de vento em popa. Era uma grande responsabilidade ver que a Shizuoka Goju-kan estava tomando corpo no Brasil, mas ao mesmo tempo era gratificante e estimulante. Nossos atletas de ponta de hoje, vieram em sua grande maioria desta época e o mais importante é saber que além dos conceitos esportivos e dos benefícios físicos, eles também aprenderam o valor do Budo em suas vidas.
Naquele ritmo intenso de treinamento, meu brother Horácio se tornava cada vez mais meu parceiro de treino. O fato dele ser um Saito e de ser meu irmão, tornava a vida muito mais difícil para ele. Afinal de contas, a cobrança era feita para que os obstáculos fossem superados e para que o único objetivo que importasse era de ser cada vez melhor. Pois como o meu pai sempre dizia: “Em tudo que se vai fazer, tem que ser bom, porque de mais ou menos o mundo está cheio”. 
E assim parti para as Seletivas. Consegui a vaga para o kata masculino acima de 3 Dan vencendo a Seletiva,   depois em abril consegui a vaga para o kumite masculino até 65 kg ficando em segundo lugar na seletiva e não consegui a vaga para o Jyu-kumite pois fiquei em segundo lugar e era apenas uma vaga.
Foi duro, foi difícil, mas a primeira etapa estava cumprida. Estava na Seleção Brasileira que disputaria o mundial Goju-kai no Brasil. Agora era renovar as energias e focar nos treinamentos da Seleção. Já tinha visto o mundial passado no Japão e sabia que conseguir se destacar ali seria uma batalha e tanto. Mais do que apenas querer, era preciso compromisso. Compromisso consigo mesmo, com suas metas e objetivos. Era preciso muito mais disciplina e sacrificar muito mais coisas consideradas “normais” para fazer parte de um grupo seleto.
Agora era focar as forças no Campeonato Mundial Goju-kai.
1997 – Um ano de grande aprendizado…..