O melhor que eu podia ser

Depois de me mudar para a cidade de Hamamatsu, comecei a trabalhar em uma fábrica que fornecia peças para motores da Honda e da Suzuki. Era uma fábrica grande que dava empregos a muitos brasileiros dekassegis como eu, e que também possuia uma jornada de trabalho ampla, que proporcionava muitas horas extras. Meu turno iniciava às 17h e terminava às 8h da manhã do dia seguinte. De segunda a sábado. Era puxado confesso. Principalmente porque eu tinha muita dificuldade em dormir durante o dia. Mas, voltava do turno, tomava um banho e ia correr e treinar um pouco no “Shie Gurando”. Começavam também as competições estaduais e queria me preparar. Fora o meu pequeno treino que fazia todos os dias depois da jornada de trabalho, treinava todos os sábados no Dojo do meu Sensei, onde íamos juntos, eu e o Horácio.
Durante o meu turno de trabalho, conseguia adiantar um pouco o serviço e depois do jantar, que acontecia lá pelas 23h, montava um treino que fazia atrás das máquinas. Era um treino de base e com pouco espaço (claro). Treinava algumas passagens de katas, alguns movimentos de kihons e renzoku waza (Kizami zuki e giyaku zuki).
Quem conhece um pouco da competividade japonesa, sabe que um campeonato estadual de karate (organizado pela WKF) é muito disputado e que conta com atletas de alto nível, de universidades e de atletas patrocinados. Quem quer crescer e melhorar, tem que ver e sentir de perto este nível de competividade. Eu queria estar lá.
Claro que o meu treinamento e minhas condições não me davam chances de disputa de medalhas nestas competições, mas o importante era estar lá para tentar, para ir contra os números e estatísticas, para dizer a mim mesmo que aquilo era possível, que eu era capaz.
Talvez eu não tenha conseguido ser o melhor dos atletas que eu enfrentei na época destas competições, mas com certeza eu tinha sido o melhor atleta que eu podia ser….

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