Saito Kyodai

Nossos dias no Japão seguiam uma certa rotina, o que havia aprendido, já que o Japão é um país metódico. Nossos domingos à tarde eram sempre voltados a passeios no Shopping, Game Centers, sair com os amigos ou reunir todos em casa para uma batalha de Street Fighter no vídeo game. Mas estávamos sempre juntos, seja treinando ou nos divertindo.
Lembro de um evento promovido pela Prefeitura da cidade de Hamamatsu, onde convidaram diversas personalidades para representarem seus países e suas culturas. Na oportunidade fomos convidados para representarmos o Karate do Brasil em uma apresentação com vários outros Senseis e Dojos. Foi realmente com muito orgulho que pudemos representar o nosso amado país. E talvez tenha sido a primeira vez que nos apresentamos, apenas nós dois, os irmãos Saito. Claro que não tínhamos na época a pretensão de sermos uma dupla de Bunkai, mas lembro que apresentamos o kata Kururunfa e algumas aplicações. Fizemos também algumas demonstrações de “Tameshiwari” (quebramento de tábuas), tudo proposto ali na hora, sem aviso, pelos Senseis Japoneses que estavam também se apresentando e aquela foi a primeira vez que o Horácio teve que quebrar uma madeira, sem saber como, sem ser avisado e em público. Talvez ele não tenha entendido na hora, mas aquele tinha sido um verdadeiro Tameshi e eu sabia que ele não falharia, apenas disse a ele: “Vai lá e quebra!”
Talvez este seja um dos segredos do entrosamento dos Saito Kyodai, não apenas o treinamento técnico em si, não apenas o esforço empregado por cada um, mas o fato de trilharmos juntos o Caminho do Karate-do Goju-ryu, o Caminho do Budo, mas acima de tudo o Caminho de sangue e de honra da Família Saito.

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