Uma nova etapa

Por mais que eu não pensasse na separação da família, o dia acabou chegando.
A caminho do aeroporto, tentava manter o tom descontraído, afinal de contas estava prestes a ficar novamente sem as pessoas que tanto amava.
Confesso que não consigo me lembrar muito dos pensamentos que tive naquela época, até porque sei que procurava não pensar em nada. Já havia passado por aquela situação uma vez quando deixei-os no Brasil e vim para o Japão, agora a situação era inversa, eles voltariam ao Brasil e eu ficaria no Japão. Porém, agora não era apenas o fato de sermos uma família, eu estava também perdendo um parceiro, um grande companheiro.
Abraçá-los novamente na porta do embarque era algo não só dolorido, mas é como se todo sentimento estivesse se esvaindo de dentro do coração e dentro dele ficasse somente o vazio.
Era necessário a minha permanência no Japão por mais um tempo, sabia disso, mas era difícil conter a emoção daquela despedida.
Abracei minha mãe e novamente estávamos nos separando, sem palavras, apenas a força do abraço e as lágrimas a escorrer pelo rosto. É difícil abrir os braços, pois nesta hora você sabe que isto significa deixar partir. Foi assim que abracei também minhas irmãs Simone e Melissa, era tudo muito intenso, era um sentimento que parecia rasgar a pele.
Ao abraçar meu irmão, sentia como se parte de mim estivesse sendo arrancada, disse a ele: “É como se estivessem arrancando meu braço direito……”. Dor e vazio, era o que ficaria.
Vê-los partindo reforçou ainda mais o significado de minha decisão de ficar. Precisava não apenas treinar, mas tinha que me tornar o melhor.
Pensei baixinho, enquanto eles desapareciam de minha visão: “Ficarei aqui e me tornarei bom o suficiente para retornar ao Brasil junto à vocês e honrar nossa família, meu Mestre e nossa escola.”
E, em companhia do silêncio, retornei ao apartamento, que agora estaria mais vazio…..

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